Veja o resumo da noticia

  • Crise de liquidez no Banco Master impede devolução imediata de R$ 12 bilhões ao BRB, segundo depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro.
  • PF investiga gestão fraudulenta com créditos inexistentes usados para reforçar liquidez do Banco Master.
  • Banco Master transfere ativos de baixa liquidez ao BRB como compensação, após o cancelamento da operação.
  • Vorcaro afirma que banco honrou resgates até 17 de novembro, apesar de restrição severa de liquidez.
  • Divergências entre Vorcaro e ex-presidente do BRB sobre o papel da empresa Tirreno na operação.
  • Polícia Federal aprofunda apuração sobre riscos ao sistema financeiro e o impacto da operação no BRB.
Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)
Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

Em depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (29), o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, admitiu que a instituição enfrentou uma crise de liquidez que impediu a devolução imediata de R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília.

Segundo Vorcaro, o banco não previa o cancelamento da operação de repasse de créditos e foi surpreendido pelo desfazimento do negócio.

PF investiga operação com créditos considerados inexistentes

A Polícia Federal apura suspeitas de gestão fraudulenta envolvendo o Banco Master e o BRB. De acordo com os investigadores, o Master transferiu ao banco público direitos creditórios que não teriam lastro real, pois os empréstimos nunca chegaram a existir.

Na prática, a instituição utilizou esses créditos para reforçar artificialmente a liquidez em um momento de forte pressão de caixa. O banco precisava de recursos para honrar CDBs com vencimento previsto para o início de 2025.

Valor elevado impediu devolução imediata, diz Vorcaro

Durante o depoimento, os investigadores questionaram por que o banco não devolveu os recursos assim que o contrato foi desfeito, como previa o acordo. Vorcaro respondeu que o volume envolvido exigia planejamento prévio.

“A gente realmente foi pego de surpresa no desfazimento de um volume grande”, afirmou, ao mencionar a empresa Tirreno, responsável pela emissão dos créditos.

Segundo ele, a instituição não conseguiu levantar o montante em dinheiro no curto prazo.

Banco transferiu ativos ao BRB como alternativa

Diante da falta de caixa, o Banco Master optou por repassar ativos ao BRB como forma de compensação. No entanto, a investigação aponta que muitos desses ativos tinham baixa liquidez, o que dificultava a conversão rápida em recursos financeiros.

Durante uma acareação, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que essa solução buscou cobrir o rombo deixado pela operação cancelada.

Banqueiro diz que honrou resgates até meados de novembro

Apesar das dificuldades, Vorcaro afirmou que o banco manteve os pagamentos aos clientes até o dia 17 de novembro. Segundo ele, a instituição atravessou o período com planejamento rigoroso.

“Até essa data, honramos todos os resgates e compromissos. Tivemos dificuldade, mas nenhum cliente deixou de receber”, declarou.

O banqueiro reconheceu, contudo, que o banco já vivia um ambiente de restrição severa de liquidez.

Versões divergem sobre papel da Tirreno

O depoimento também revelou divergências entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB sobre a atuação da empresa Tirreno na operação. Enquanto a investigação aponta a empresa como intermediadora central, o dono do Master minimizou esse papel.

“Anunciamos que faríamos vendas de originadores terceiros. Naquele momento, sequer me recordo do nome Tirreno”, disse.

Segundo Vorcaro, as conversas iniciais tratavam apenas de um novo formato de comercialização de créditos.

PF aprofunda apuração sobre riscos ao sistema financeiro

A Polícia Federal agora analisa documentos, contratos e o lastro dos ativos envolvidos para identificar responsabilidades. A investigação também avalia se a operação teve impacto relevante sobre o BRB e riscos potenciais ao sistema financeiro.

Então, o caso segue em andamento e pode gerar novos desdobramentos nos próximos dias.