CVM investiga "insider trading" em investimentos de Nelson Tanure
Divulgação/Nelson Tanure

A Polícia Federal avançou nesta quarta-feira em mais uma etapa da Operação Compliance Zero, ampliando o alcance da investigação que tem como foco o Banco Master.

Entre os alvos estão endereços ligados ao empresário Nelson Tanure, conhecido no mercado por investir em companhias em dificuldades financeiras.

Além disso, a nova fase inclui mandados de busca e apreensão e medidas patrimoniais de grande escala, em um movimento que reforça o peso econômico e institucional do inquérito.

Operação Compliance Zero e as buscas da PF

Ao todo, os agentes cumprem 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. As ordens judiciais também determinam sequestro e bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões, sinalizando a dimensão financeira das suspeitas apuradas.

Além de Tanure, a PF esteve em endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a familiares do empresário. Outros nomes do mercado financeiro também aparecem no radar da investigação.

Abordagem no Galeão chama atenção

Tanure foi abordado no Aeroporto Internacional do Galeão quando se preparava para embarcar em um voo doméstico para Curitiba, no Paraná.

Segundo informações divulgadas pela TV Globo, o empresário teve o celular apreendido e entregou documentos sem resistência. Após a abordagem, ele foi liberado, mas não conseguiu seguir viagem.

Dessa forma, o episódio deu visibilidade pública à operação e ampliou o interesse do mercado sobre os desdobramentos do caso.

Quem é Nelson Tanure e por que ele entrou no radar

Tanure é um investidor conhecido por assumir posições relevantes em empresas em situação financeira delicada. Essa estratégia o colocou em negociações complexas ao longo dos anos.

Sua inclusão na nova fase da Compliance Zero ocorre em meio à apuração de um suposto esquema de créditos fictícios concedidos pelo Banco Master, segundo a Polícia Federal.

Crimes investigados no caso Banco Master

De acordo com os investigadores, estão sob análise indícios de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

A PF apura se houve concessão de créditos sem lastro e circulação de ativos sem avaliação técnica adequada. Essa prática pode ter inflado balanços e distorcido operações no sistema financeiro.

Denúncia anterior contra Tanure

No fim do ano passado, Tanure já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal de São Paulo por suposto uso de informação privilegiada em operações envolvendo ações da construtora Gafisa, da qual é acionista de referência. O empresário nega irregularidades.

Sendo assim, o caso tramita na Justiça Federal paulista, mas a defesa solicitou o envio ao Supremo por entender que há conexão com as investigações envolvendo o Banco Master e seus controladores.

O que diz a defesa de Daniel Vorcaro

Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o empresário tem colaborado integralmente com as autoridades.

De acordo com os advogados, todas as determinações judiciais estão sendo cumpridas com transparência, e o controlador do Banco Master permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado.

Impacto para o mercado financeiro

A ampliação da Compliance Zero reforça a pressão sobre o Banco Master e sobre agentes do mercado financeiro ligados à instituição.

Em suma, o bloqueio bilionário e a entrada de nomes conhecidos no radar da PF elevam a atenção de investidores e reguladores, enquanto o caso avança no STF.

Para o setor, o episódio funciona como alerta sobre governança, controles internos e riscos associados a operações estruturadas sem lastro claro.