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MiamiCoin (MIA), a criptomoeda de Miami, perde quase 100% do valor desde o lançamento

O valor da criptomoeda caiu sob influência da Terra (LUNA) e com a interferência de órgãos reguladores

A MiamiCoin (MIA) está enfrentando uma maré negativa, acompanhando a tendência do mercado de criptomoedas após a queda da Terra (LUNA). Nove meses após seu lançamento, a moeda digital de Miami perdeu quase todo o seu valor, mesmo após o incentivo do próprio prefeito de Miami, Francis Suarez.

A cidade de Miami foi o primeiro município norte-americano a receber uma moeda virtual própria, a partir da organização CityCoins. No entanto, desde setembro do ano passado, quando a MiamiCoin alcançou o seu pico, chegando aos US$ 0,0542, a criptomoeda caiu aproximadamente 95%, sendo cotada a US$ 0,0041 nesta terça-feira (17).

O que é a MiamiCoin (MIA)?

A MiamiCoin é uma criptomoeda feita pela CityCoins, que tem como objetivo criar criptomoedas para as cidades dos EUA, de forma com que os cidadãos possam apoiar suas cidades por meio da aquisição ou mineração das criptomoedas. Os fundos angariados são enviados ao tesouro do município, e a prefeitura decide para onde o dinheiro será destinado, como para a infraestrutura da cidade.

O prefeito de Miami, Francis Suarez, foi um dos principais defensores da MiamiCoin, com a expectativa de que possibilitaria um governo no qual os cidadãos não pagariam impostos, onde a principal fonte de financiamento viria da mineração da criptomoeda. Em outubro de 2021, o governo de Miami assinou um contrato com a CityCoins, que permite que a cidade receba os rendimentos da MiamiCoin, apesar de não possuir ou gerir o criptoativo.

No dia 2 de fevereiro, Suarez afirmou que a cidade havia recebido US$ 5,25 milhões a partir da mineração da MiamiCoin. No entanto, 17 dias depois, o prefeito disse estar em dúvidas sobre a criptomoeda, após a queda acentuada do ativo no OkCoin, a única corretora que oferece a compra da MiamiCoin.

O que causou a queda da MiamiCoin (MIA)?

A queda do preço da MiamiCoin está relacionada com a crise no protocolo Terra (LUNA), que viu suas reservas caírem de US$ 4 bilhões para US$ 90 milhões em poucos dias. O espiral da morte no qual a LUNA foi um golpe em todo o mercado de criptoativos, e não foi diferente com a MiamiCoin.

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Além disso, órgãos reguladores passaram a investigar as transações com criptomoedas na cidade. Segundo o portal “Quartz”, a CityCoins enviou ao gabinete do prefeito um e-mail onde expressava preocupação acerca das declarações de Suarez, que poderiam causar tropeços em “fios regulatórios”.

A preocupação existe pois caso a SEC (o equivalente à CVM dos EUA) decidisse que a MiamiCoin (MIA) é um mecanismo de captação de recursos ao invés de uma moeda corrente, a CityCoins e a própria cidade teriam que devolver o dinheiro aos investidores.